Olimpíada é cenário para orações por liberdade religiosa

terça, 01 de julho de 2014 às 17:02

Entre os dias 8 e 24 de agosto os olhos do mundo permanecem abertos para os Jogos Olímpicos de Pequim. Atletas do mundo inteiro, de 35 modalidades, tentam conquistar a glória para os seus respectivos países: a medalha de ouro. No entanto, a grande preocupação dos cristãos compromissados com o Reino de Deus é a conquista da liberdade religiosa no cenário da Olimpíada 2008: a China, o país mais populoso do mundo com 1,306 bilhões de habitantes (estimativa 2005), com uma área de 9.536.499 Km², mas onde o Cristianismo representa apenas 11% da população. Mas de 50% dos chineses dizem não ter religião e outros 36,6% se dividem entre as religiões locais e o budismo.

Teoricamente, os cristãos chineses têm o direito à liberdade religiosa, mas o espaço para evangelização é limitado. Segundo a Constituição do governo comunista chinês, apenas pessoas com mais de 18 anos podem ser evangelizadas e todas as igrejas devem ser registradas. Os cristãos não podem se reunir em templos não registrados e tampouco evangelizar publicamente. 

Às vésperas do início da Olimpíada de Pequim o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, pediu  às autoridades da China que promovam a liberdade de expressão e a tolerância religiosa, e explicou que compareceria à cerimônia de abertura dos Jogos "por respeito". 

Em entrevista coletiva conjunta com o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, Bush afirmou que sua mensagem às autoridades chinesas foi sempre a mesma ao longo dos sete anos e meio em que está à frente da Casa Branca: "O povo tem de poder dizer o que pensa". 

"Ninguém deve temer pessoas religiosas em uma sociedade. Os religiosos fazem de uma sociedade um lugar melhor. O povo precisa dizer o que pensa. O contrário é um erro", disse Bush, ao ser questionado sobre sua posição com relação a direitos humanos na China. 

O governante americano declarou que sua decisão de assistir à cerimônia de abertura dos Jogos, tem como objetivo "mostrar respeito à população da China". 

"É uma oportunidade de dizer à população chinesa que respeitamos suas tradições e sua cultura e, como já disse muitas vezes, vejo os Jogos Olímpicos como uma oportunidade de expressar minha opinião em favor da liberdade religiosa", completou. 

Além de terem de prestar lealdade total ao partido comunista e  sua "igreja", renegando sua fé, os cristãos chineses são corriqueiramente perseguidos e torturados.

Há cerca de um ano, o ativista pró-direitos humanos, Hu Jia, declarou recentemente que muitos dissidentes chineses foram deportados, torturados ou desapareceram na pior campanha de perseguição e derrubada da dissidência dos últimos anos na China. Além disso, Hu Jia denunciou que inúmeros cristãos foram torturados ou presos e igrejas domésticas, consideradas clandestinas pelo governo, foram fechadas.

Hu Jia escreveu várias mensagens à imprensa diretamente de sua casa, onde cumpre prisão domiciliar há vários meses, nas quais denunciou o desaparecimento de muitos ativistas contrários ao governo chinês. Ele afirmou também que em 2007 as autoridades intensificaram a perseguição com vistas à realização dos Jogos Olímpicos de Pequim, a fim de que muitas vozes de dissidentes fossem caladas.

Em 2007 desapareceram os advogados humanitários Gao Zhiseng e Zheng Dajing, o ex-deputado Yao Lifa, o ativista pró-democracia Zhang Wenhe, o ativista cristão Hua Huiqi e o advogado dele Li Heping, a ativista pró-direitos humanos Huang Yan, o sacerdote Liu Fenggang, o escritor Lu Gengsong e o ativista Yang Chunlin, entre outros. 

O modelo tradicional do relacionamento igreja-estado na China é a supremacia do estado sobre a religião. Na China tradicional, o imperador detinha o mais alto poder. Hoje, este modelo de supremacia do estado e ortodoxia oficial persiste na China como estado socialista totalitário. Ou seja, não há uma separação entre igreja e estado como entendemos no ocidente. A igreja é obrigada a viver de acordo com as políticas religiosas do partido comunista chinês (PCC) e as ordenanças legais do estado. 

O estado tem a sua própria ortodoxia, que são o marxismo, o leninismo e o pensamento de Mao, que o partido busca propagar (depois do 15º Congresso do PCC, foi acrescentado o pensamento de Deng Xiaoping). Todas as demais ideologias e crenças são consideradas “heterodoxas” (que se afastam das crenças aceitas). As atividades religiosas realizadas fora do controle do estado não são apenas consideradas heterodoxas na ideologia, mas também “ilegais” e, portanto,  passíveis de processo criminal, que é uma forma legalizada de perseguição.

As igrejas-domiciliares que se recusam a se cadastrar com o estado e que, portanto, conduzem suas atividades fora do Movimento Patriótico da Tríplice Autonomia (esfera de controle), entram nesta categoria de “atividades religiosas ilegais”; e algumas das igrejas-domiciliares organizadas ativas na expansão evangelísticas são rotuladas de “grupos sectários” e alvos preferidos dos ataques do estado.

A Constituição da China declara que os cidadãos chineses gozam de liberdade religiosa. Esta liberdade não inclui, porém, o direito de propagação fora dos locais estabelecidos para atividades religiosas, nem o direito de estabelecer igrejas de acordo com a convicção religiosa de cada um. 

O governo chinês acredita que a única esfera para a ação cristã protestante é o Movimento Patriótico da Tríplice Autonomia, uma das “organizações patrióticas”. O Movimento Reformista da Tríplice Autonomia foi estabelecido pelo Estado em 1950 e formalmente organizado como o Movimento Patriótico da Tríplice Autonomia em 1954 (MPTA). Sua função é ajudar o governo a implementar a política religiosa. O MPTA se reporta à Secretaria de Assuntos Religiosos, que aprova registros, indicação de funcionários pastorais, treinamento de líderes e vigilância financeira. Por exemplo, numa igreja do MPTA, quando o pastor ficou doente, a Secretaria de Assuntos Religiosos aprovou um não cristão, um ateu, para pregar no lugar dele. O pastor não pode voltar a pregar enquanto o seu substituto estiver pregando. Quando ele estiver bem e apto a pregar novamente, seu substituto deixa de pregar.

Por Que as Igrejas-Domiciliares Não Querem Se Registrar Nem Se Filiar ao MPTA 
A inimizade entre as igrejas-domiciliares e o MPTA está profundamente enraizada na história da igreja da China desde 1950. Durante a década de 50, os cristãos puderam testemunhar como o governo se utilizou do MPTA para destruir tanto a igreja institucional estabelecida pelas missões ocidentais como as igrejas nacionais fundadas pelos crentes chineses. Durante a reforma pastoral do Movimento Grande Salto Para o Futuro, os pastores que não se dobraram ao autoritarismo do estado foram aprisionados - alguns por décadas. Muitos foram presos durante este período graças à traição de pastores do MPTA. Atualmente, em muitos casos, pastores do MPTA agem como informantes do governo infiltrados nas igrejas-domiciliares, colaborando para a prisão de líderes e outros membros. Para as igrejas-domiciliares, portanto, o MPTA não passa de uma agência do governo. Os líderes das igrejas-domiciliares não aceitam o MPTA nem o CCC (Conselho Cristão da China) como representantes autênticos da igreja chinesa. 

Em segundo lugar, ao se registrar com o governo e se filiar ao MPTA, a igreja passa a ter as atividades limitadas ao culto de domingo. Até as reuniões de oração das quartas-feiras e as reuniões nos lares são proibidas. O pastor de igreja do MPTA é obrigado aplicar esta exigência ao seu próprio rebanho, o que, para um pastor evangélico, é uma coisa muito difícil. Uma vez afiliado ao MPTA, ele perde a liberdade de pastorear o seu rebanho segundo a direção do Espírito Santo. Por isso, ele prefere correr o risco de ser preso a perder a liberdade espiritual.

Terceiro, depois que se registra e se filia ao MPTA, a igreja não pode mais evangelizar nem designar outros locais de culto fora dos seus limites físicos. Mas as igrejas-domiciliares estão comprometidas com o evangelismo e desenvolveram sistemas bem sofisticados de treinamento de evangelistas itinerantes e o se conseqüente envio às províncias fronteiriças e vizinhas aonde o evangelho ainda não foi pregado. Se elas se filiam ao MPTA, são obrigadas a desistir do evangelismo, que é a parte mais importante do seu cristianismo. Portanto, a questão que fica é: evangelizar ou não evangelizar? As leis da terra são claramente contra a expansão da igreja através do evangelismo. Os membros da igreja-domiciliar chinesa crêem que o seu dever é se esforçar pelo cumprimento da Grande Comissão. Na questão do evangelismo, portanto, eles preferem obedecer a Deus e não aos homens (Atos 5:29).

Finalmente, a razão mais importante por que as igrejas-domiciliares se recusam a se registrar e se filiar ao MPTA é a sua crença no Senhorio de Cristo sobre a igreja. “Quem é o cabeça da igreja: Cristo ou o estado?”, perguntam eles. Para MPTA o estado é a suprema autoridade nos assuntos da igreja. As igrejas-domiciliares estão determinadas a obedecer a Cristo, mesmo que esta obediência lhes traga sofrimento, porque eles preferem “trilhar na vereda cruz” a obedecer a um poder estatal ateu que procura impedi-los de servir a Cristo. Estes bravos crentes passaram a esperar perseguição, porque são discípulos de Cristo e não de Mao nem dos líderes do partido comunista chinês. Eles sabem que, assim como ao apóstolo Paulo, lhes “foi dado o privilégio de não apenas crer em Cristo, mas também de sofrer por ele” (Filipenses 1:29,30). 

Orações
Os organizadores dos Jogos de Pequim tentam passar uma imagem positiva ao resto do mundo, mas relatos de cristãos que vivem no país mostram outra realidade. A repressão a reuniões de igreja não oficiais e aos seus líderes, aumentou em muitas províncias chinesas, bem como o número de denúncias de estrangeiros sendo detidos ou deportados.É importante que estes Jogos Olímpicos seja o despertar do mundo para a falta de liberdade religiosa na China. Os cristãos devem orar para que toda a máscara deste país do leste asiático caia por terra; para que a imprensa internacional denuncie as restrições e a opressão do governo chinês sobre o cotidiano da população; para que os direitos humanos sejam respeitados; para que a Palavra de Deus seja pregada de forma livre e possa transformar os corações da nação mais populosa do mundo. É preciso também interceder para que Deus faça despertar no coração de cada um o desejo de contribuir com projetos de evangelismo. Há muitas pessoas de língua portuguesa na China que não podem participar de cultos, devido às restrições do governo. Para elas, uma das soluções menos arriscada seria acompanhar a Palavra de Deus através da Internet em projetos sustentados pelos Pregadores do Telhado, por exemplo.

Clique aqui para saber mais detalhes e participe.

 

 

 

 

Marcia Pinheiro

Por: Pregadores do Telhado